Diário

A minha camisola do Super Bowl

4 Fevereiro, 2018

Sabem o que é o Super Bowl?

É a final do campeonato de futebol americano da NFL – National Football League (Liga Nacional de Futebol). O evento desportivo que decide o campeão da temporada. Para os americanos, acho mesmo que é o mais importante evento desportivo do ano.

football deles é diferente do nosso futebol. Ou seja, nos Estados Unidos da América, o football é um jogo de contacto muito similar ao rugby (também conhecido por futebol americano) em que os jogadores usam capacetes, roupas com protecções e uma bola bicuda. O nosso futebol é lá chamado de soccer.

Enfim, diferenças técnicas à parte, o importante aqui a reter é que este é um jogo de grande relevo nacional. O país quase pára para assistir ao Super Bowl.

Todos os cantores e artistas querem participar nos espectáculos do intervalo. É pois uma enorme festa, que acontece sempre por meados de Janeiro / início de Fevereiro.

Pela primeira vez, este ano os miúdos disseram-me que gostavam de assistir ao jogo pela televisão.

Eu não me contive… e informei: Sabem que tenho uma camisola com o nome do campeão de Janeiro de 1997?

– A sério, mãe?!… Podes ir buscar?

Eu fui.

Era a desculpa perfeita para ir abrir umas quantas gavetas e encontrar o álbum de fotografias que guardo do meu ano nos Estados Unidos e a tal camisola (como eu gosto deste tipo de desculpas que metem viagens ao barulho!)  🙂

Não segurei as lágrimas e o sorriso (em simultâneo) durante largos minutos. Naquelas quase 200 fotografias embaciadas pelo tempo, estão espelhados tantos dos momentos especiais da minha primeira grande viagem a solo, então com 21 anos.

Agora apenas um pequeno pensamento: Dá para acreditar?… Tenho 200 fotografias para documentar um ano inteirinho de passeios e descobertas do outro lado do Atlântico. Hoje em dia é tão fácil ficar com esse mesmo número de imagens num simples jantar em casa de alguém…

super bowl recordacoes eua

album 1997

Mas ainda bem que estas fotografias dos Estados Unidos estão impressas e organizadas. Porque é uma excelente forma de partilhar com os miúdos as minhas aventuras, antes de terem nascido.

Eles já conheciam o álbum (estranham sempre é a minha condição física… eu própria fico super espantada ao ver-me tão cheiinha nestas fotografias!) mas, apesar de ainda a vestir, a verdade é que eles nunca tinham reparado na camisola com o nome dos Green Bay Packers estampado – a equipa vencedora do Super Bowl 1997.

Não resisti e fui replicar a imagem que tinha captado há 21 anos em Chicago.

Então, a minha história com o Super Bowl começa assim:

  • Saí de Lisboa a 14 de Janeiro de 1997
  • Fiz escala em Londres
  • Aterrei em Nova Iorque um dia mais tarde
  • Instalei-me, dias depois, numa casa de família na cidade de Milwaukee, estado de Wisconsin

O Super Bowl 1997 aconteceu a 12 de Janeiro, ou seja, poucos dias antes de eu chegar a Wisconsin, estado onde ficaria a viver e de onde era a equipa vencedora desse ano.

Já não ganhavam o título há algumas décadas, por isso podem imaginar a euforia e o entusiasmo que eu ainda encontrei quando cheguei.

Lembro-me de ir a um jantar para festejar a vitória na casa de uns amigos. E, claro, não resisti a comprar uma camisola comemorativa, que ainda hoje guardo e uso!  🙂

camisola green bay packers 1997

camisola super bowl 1997

Foi durante este ano a morar fora que aprendi verdadeiramente a desenrascar-me em viagem. Percorri sozinha vários estados e fiquei com memórias indescritíveis. Inesquecíveis. Depois de todos estes anos, ainda me emociono quando falo no assunto.

Além de ficar a conhecer muitos lugares e realidades diferentes, foi uma óptima oportunidade de me conhecer melhor. Passei por momentos bem difíceis. Mas, sem pestanejar, faria tudo novamente. Conseguir superar a solidão, as temperaturas negativas, todos os pequenos problemas quotidianos, as diferenças culturais e gastronómicas… deu-me uma gigante quantidade de confiança.

Fui sozinha, não conhecia lá ninguém, mas sempre tive uma vontade enorme de pegar num carro ou num comboio e ir. Assim fiz. Sem saber onde ía almoçar ou dormir naquele dia (a internet e os telemóveis em 1997 eram, para mim, ferramentas inacessíveis, claro).

Joana Canada e EUA

Na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá (numa viagem de carro)

Joana na Casa Branca

Em frente à Casa Branca em Washington D.C. (numa viagem de comboio)

Aprendi muito.

E foi ali que nasceu também uma enorme vontade de conhecer a Escandinávia, pois durante aqueles meus meses na América fui fazendo amigas, que por uma qualquer coincidência eram maioritariamente da Suécia, Noruega ou Dinamarca. Fiquei logo fascinada com o que contavam da terra natal.

Alguns anos mais tarde, levei os meus filhos à cultura nórdica. As expectativas excederam-se. E eles encantaram-se com Estocolmo e Copenhaga.

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