Brasileirando

Regina Casé, achou sempre seu lugar

3 Outubro, 2016

Mais uma personagem brasileira escolhida pela Helena, neste desafio diário do Brasileirando !

Conheçam então Regina Casé:

Regina Casé, a Camaleoa

Eu conheci-a assim. Magrinha, nem tão bonitinha assim mas com um jeito romântico que me cativou à primeira vista.

regina

Mais tarde, ela volta a entrar em minha casa e, eu diria, na minha vida. Ela era Tina Pepper (uma caricatura física da Tina Turner mas ao jeito único de Regina) na novela Cambalacho.

Eu tinha 12 anos e estávamos em ’86. Para mim, ela representava na tela e na vida real a mulher resolvida, sem problemas de ir à luta.

“Eu precisava produzir, porque ninguém iria me convidar para fazer o que eu queria fazer. Ninguém nunca me tirou para dançar; sempre fui eu, mas dancei a vida inteira, namorei a vida inteira, trabalhei a vida inteira e atuei a vida inteira. Mas sempre pedi os meninos para namorar, sempre tirei para dançar, sempre produzi as peças, sempre inventei os programas, montei as equipes, vendi as ideias. Porque eu tinha que achar um lugar para mim: a outra opção era não ser feliz.”

Anos mais tarde li estas frases suas e percebi que não me enganara e isso fez-me gostar mais dela ainda.

Entretanto, na minha vida, como vocês sabem, já havia um grande espaço para uma galeria de pessoas que fui escolhendo a dedo. Eu não sabia (ou não o soube desde logo) mas enquanto eles preenchiam o meu coração e a minha mente do lado de cá do oceano, lá, no Brasil, todos se cruzavam.

Ou porque eram amigos desde sempre, ou porque namoravam nas areias de Ipanema, ou porque trabalhavam juntos, ou porque inspiravam uns aos outros. E eu não sabia. Eu não sabia.

E, vejam só, quando eu nasci Regina criava o grupo de teatro Asdúbral trouxe o Trombone onde conheceu Cazuza que passou a integrar o grupo. Quase dez anos mais tarde, quando eu cantarolava “Rapte-me Camaleoa” de Caetano, tinha eu pouco mais de sete ou oito anos, estava longe de imaginar que esta música tinha sido escrita para Regina, que na verdade tinha sido namorada de Caê e para sempre uma irmã, uma amiga. E podia ainda falar do amor de Regina por Roberto Carlos, mas aí, por maior que seja o meu amor pelo Rei, junto-me a vários milhões que sentem como eu e ela.

Ela participou no show anual de Roberto Carlos, em dezembro de 1993 (eu tinha 19 anos e um ano antes a minha vida modificara para sempre), em que representou uma admiradora. “Eu fazia uma fã que era louca por ele e que subia no palco e os seguranças expulsavam. Eu dizia: ‘A gente tem tanta coisa em comum, RC!

Vai ficar lindo o enxoval todo bordado: ‘RC e RC’…’ E aí cantava Roberto. Foi maravilhoso. Ele adorou, eu adorei. Ficamos todos emocionadíssimos. A plateia também; a plateia veio abaixo de tanto rir. Esses especiais, eu tenho o maior carinho por eles”, lembra. Como posso eu esquecer?

regina

Entretanto, Regina actua em vários programas de humor e a porta para algo que viria a transformar a sua vida abre-se aqui:

“A personagem (agora re-interpretada no Cassino do Chacrinha) me deu a oportunidade de mexer com milhões de coisas muito legais. Uma coisa que até hoje acontece comigo, que é muito engraçada: como eu usava uma peruca, e ela, a personagem, era muito fã da Tina Turner, e a Tina Turner é negra, durante muito tempo da minha vida, e até hoje de vez em quando, quando eu chego num lugar em que eu nunca estive, às vezes num estado, numa cidade pequena, as pessoas olham para mim e falam: ‘Você não é preta?’ E acham que é quase um engano, entendeu? Porque me identificavam muito com isso, e, também com um tipo de transgressão.”

Regina pára de actuar (durante 15 anos) para se dedicar a apresentação de programas de televisão, destacando-se, chegou a todo o Brasil e resgatou-o para a sala de estar dos brasileiros. Programas como Programa Legal, Brasil Legal, Muvuca e, agora, Esquenta foram inovadores porque Regina mostrou um Brasil real e profundo desconhecido de si mesmo.

“Eu queria estar na rua, trazer uma coisa que sempre fiz bem no teatro, e que achava que ainda não tinha feito na televisão, que é a cena de plateia. No teatro, eu sempre achei chato ficar no palco, eu sempre chegava e dizia qual mais ou menos era o assunto da peça e ia me sentar no colo das pessoas e passava a peça inteira na plateia e só subia de novo para o encerramento.

Então, isso eu sentia que era o que eu tinha de mais legal para oferecer, e que ainda não estava na TV. Eu quis trazer para a TV a rua, a cena de plateia, o contato com as pessoas, o encontro direto.”

E, acompanhando todo este seu percurso, eu fui-me comovendo a cada etapa, a cada vitória, a cada medo revelado … porque a Regina Casé é uma MULHER brasileira que não renega as suas origens e sempre está ao lado de quem precisa de voz. Diz ela:

“Sou rotulada como apresentadora que só fala de preto, pobre e favelado”

mh”

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