Bahia, Brasil

Morro de São Paulo, é tão mais fácil gostar de lá estar do que de lá chegar

3 Setembro, 2014

Depois de vários dias em Salvador, de algumas visitas a amigos, de muitos banhos de mar e outros tantos mergulhos na cultura e gastronomia local, tinha chegado a hora de deixarmos a cidade para trás e rumarmos a uma ilha que adquiriu o estatuto de paradisíaca e de que já tanto tinha ouvido falar – Morro de São Paulo.

Com o aproximar da hora de partida, a sala de onde se espera pelo catamarã, bem perto do famoso Mercado Modelo, começou a ser pequena para tantos passageiros. Havia famílias, casais, pessoas de todas as idades e nacionalidades. Ao nosso lado estava uma família francesa com 3 filhos que começou a distribuir bolachas pela prole. E a dica fica desde já aqui dada: é uma boa ideia reconfortar a barriguinha e despejar a bexiga antes de embarcar pois as possibilidades de o fazer durante a viagem são muito reduzidas.

sala espera 3

Reparei também que o filho do meio da tal família, que teria talvez uns 8 ou 9 anos de idade, estava a desenhar os barcos que compunham o enorme painel de azulejos azuis que ocupava grande parte de uma das paredes e que representava a área circundante da Baía de Todos-os-Santos.

sala espera 4

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E dei por mim a reflectir precisamente sobre a cidade de Salvador. A verdade é que não me conseguia decidir, não sabia formar uma opinião sobre a vivência dos últimos dias. Li algures que é preciso tempo para aprender a gostar de Salvador, que não é na primeira visita que se compreende a cidade porque é disso mesmo que se trata – conseguir compreender esta gigante, ruidosa, desgastada e histórica cidade, que segura o título de primeira capital do Brasil.

Mas estes meus pensamentos foram interrompidos. Quase todos os que estavam ali presentes começaram de repente a levantar-se, a formar fila e a dar passagem aos passageiros que entretanto chegavam de um qualquer barco.

sala espera 2

O gradeamento que dava acesso ao porto estava agora aberto e em breve, foi então a nossa vez de percorrer alguns metros numa ponte de madeira que nos levaria finalmente ao pequeno catamarã. Para entrar, primeiro as malas, depois as pessoas. E enquanto um funcionário se encarregava de amontoar todas as bagagens nas 2 ou 3 primeiras filas do barco, as pessoas íam-se acomodando nas filas corridas de cadeiras disponíveis.

catamara 2

catamara 3

Eu quis aproveitar ao máximo as vistas e optei por ficar no banco corrido que havia na parte exterior. Mesmo depois da partida, quando já só havia ondas e vento para apreciar, deixei-me ficar. E que boa opção se revelou! Rapidamente, os meus filhos também me fizeram companhia neste lugar que se veio a revelar menos propício a más disposições.

Com o passar do tempo, muitas foram as pessoas que começaram a sair de lá de dentro com um ar muito pouco divertido….ouvi depois (já em terra) que é um estado muito frequente entre os passageiros.

catamara

catamara morro

Devo dizer que a viagem foi bastante emocionante ao início, mas depressa os repetidos balanços perderam a piada inicial. Duas horas é realmente muito tempo para ocupar com uma paisagem tão monótona mas principalmente tão instável como daquela se revelou. Eu perdi a conta às vezes que os miúdos perguntaram “ainda falta muito?” E eu própria a partir de determinada altura, comecei a fazer a contagem decrescente aos minutos.

E até me lembro da tomada de consciência do Francisco: “O pior é pensar que temos de voltar, não é mãe?”, mas que na altura até serviu de motivo para recuperar um bocadinho o ânimo. Como iríamos fazer alguns passeios pelo litoral da Bahia, o regresso a terra já estava planeado de outra forma por isso não teríamos de regressar assim. Apesar de saber que o estado do mar de cada dia faz a viagem ser mais ou menos confortável, reconsidero agora se esta será a melhor forma de viajar com a família, principalmente com crianças muito pequenas.

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Este meio de transporte é uma das 3 alternativas que existem para chegar ao Morro de São Paulo, que por ser uma ilha dificulta o seu acesso. As outras são: via aérea através de uns pequenos aviões que saiem de Salvador (demora bem menos de uma hora mas o preço é bastante elevado) e a via semi-terrestre (demora quase quatro horas e engloba ferry, autocarro e lancha).

Perante as alternativas, as duas horas de catamarã pareceram-nos a opção mais equilibrada. Mas hoje acho que entendo porque é que sempre ouvi falar tanto sobre as praias e o paraíso que era o Morro mas nunca ninguém falava muito sobre a viagem para lá chegar!

Confesso que precisei de algum tempo para conseguir relativizar o desconforto da viagem…mas é verdade que a paisagem fantástica, digna de cartão-postal, à chegada ajudou à recuperação. E não sei se ainda era efeito dos balanços do barco mas a mim só me parecia que tinha acabado de aterrar num filme. Para começar, os únicos táxis disponíveis eram carrinhos de mão! Mas sobre isso contarei mais tarde.

Morro São Paulo

P.S. – As malas perdidas apareceram um dia depois de chegarmos a Salvador 🙂

 

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