Bahia, Brasil

Itacaré, é mesmo boa onda

7 Outubro, 2014

Um dos principais objectivos da nossa última viagem ao Brasil era descansar. Tínhamos dias disponíveis e poucas coisas agendadas (de propósito, desta vez não tinha marcado tudo, que o nosso espírito aventureiro também dá para isto!).

itacaré

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Só tínhamos uma condição: não nos enfiarmos em resorts. Nada contra, também gostamos e frequentamos…mas como estávamos com tempo, queríamos aproveitar para viver momentos e experiências diferentes, estando o mais próximo da realidade brasileira possível.

Ora, para isso tínhamos de escolher alguns spots de turismo menos massificado, um pouco mais afastados das grandes cidades e algo alternativos até.

E foi assim que fomos parar a Itacaré, a cerca de 70 km de Ilhéus no estado da Bahia. Ficou conhecida como uma pequena vila de pescadores que só começou a despertar para o turismo na última década.

O que significa que só agora começam a surgir as principais infraestruturas, que se esperam encontrar em qualquer lugar que acolha forasteiros e os habitantes ainda se lembram muito bem do “tempo antes de 2000”, como nos contou um empregado de um restaurante.

“Eu fiquei, mas muitos foram para a Europa à procura de trabalho. Aqui antes de 2000, ou você trabalhava na pesca ou na Prefeitura, não havia mesmo mais nada”, disse o agora empregado de mesa, que já foi outras tantas coisas antes na vida.

itacaré

Eu descobri Itacaré num guia de viagens, que apresentava o lugar como um paraíso para os surfistas, com um ambiente de culto hippie muito especial. E a verdade é que isso se sente mesmo nas ruas, nas praias, nos restaurantes, nas pousadas.

Já agora, aproveito para deixar um pequeno reparo aos leitores portugueses: pousadas no Brasil é um tipo de alojamento muito diferente do conceito que utilizamos em Portugal, por isso já aqui antes organizei as minhas ideias em 4 diferenças entre Portugal e Brasil.

Na pousada em que ficámos, por exemplo, começaram logo por nos mostrar um mapa na parede e explicar que lá existem 2 tipos de praias, as urbanas e as rurais. Assim, as que estão perto do centro – Resende, Tiririca, Costa e Ribeira (ficam todas a 5 minutos a pé entre elas) e ainda a mais agitada e central, a praia da Concha, são as apelidadas de urbanas.

Também há a praia da Coroa, mesmo no centro, mas quase não conta pois não é boa para banhos, serve principalmente como ancoradouro para os barcos de pesca.

E depois há as outras só acessíveis por trilhas dentro da Mata Atlântica ou de carro, que são conhecidas como as praias rurais – Pontal, Piracanga, Siriaco, Prainha, São José, Arruba, Jeribucaçu, Engenhoca, Havaizinho, Itacarezinho e Patizeiro.

itacaré

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São todas diferentes, com algumas características e estruturas muito particulares, mas têm uma coisa em comum: são muito bonitas! Não fomos a todas, mas no fundo, esta apresentação inicial das praias que nos fizeram, serviu para nos mostrar o modo de funcionamento do estabelecimento: informal e familiar.

Apesar das nossas conversas diárias ao balcão da recepção ou numa das mesas do restaurante rapidamente se terem tornado numa prática constante, pois da nossa parte queríamos saber mais sobre aquele local e gentes.

Da parte dos responsáveis da pousada, jovens apaixonados por surf, também havia grande curiosidade em saber mais sobre as praias e as ondas portuguesas. Por isso não foi surpresa os abraços e as promessas de uma visita em breve quando nos despedimos.

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Fiquem com a ideia de que em Itacaré existem apenas três ou quatro vias principais: a Avenida Beira-Mar, junto à praia da Coroa, a rua comercial, a Pituba, onde se encontram a grande maioria dos restaurantes e lojas (que apenas abrem portas a partir das 16h pois até lá o movimento de pessoas está quase exclusivamente nas praias). A sua continuação, a Passarela da Vila, e ainda o Caminho das Praias, que vai do centro da localidade às quatro praias urbanas.

A grande maioria das estradas são de terra batida e ficam enlameadas ou com buracos enormes quando chove. E devo dizer que ninguém me quis assegurar o nível de segurança durante a noite nos caminhos mal sinalizados e iluminados mais afastados do centro.

itacaré

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Mas também é verdade, que apesar de quase tudo ainda estar ao nível das condições básicas, entende-se bem o esforço comercial que existe na oferta para famílias. Ou seja, há muito onde entreter ou cativar miúdos e graúdos: os restaurantes têm pizzas, massas, hambúrgueres e menus infantis.

Há cafetarias com muita variedade de bolos, as agências de turismo organizam vários passeios e visitas na região, nas praias existem aulas de surf, paddle suf e estruturas de arvorismo. Enquanto também têm surgido novos restaurante, lojas e alojamentos com uma grande aposta na decoração e diferenciação.

E uma certeza, em Itacaré o estilo de vida é sem dúvida, especial e muito descontraído. Foi por lá que vimos a vida desenrolar-se devagar e do jeito simpático que só os baianos sabem fazer. Por lá vimos crianças descalças a jogar à bola na rua, a praça principal cheia de pessoas que por ali ficam o dia inteiro, pescadores a oferecer peixe a quem passa, pontos de moto-táxis, lojistas sentados em cadeiras à porta como se numa esplanada estivessem.

itacaré

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E por lá também assistimos – nós mais um enorme grupo de pessoas sentadas no chão, ao ritmo de música regional improvisada – ao nosso primeiro pôr-do-sol em que a grande estrela daquele fim de tarde teve direito a uma entusiástica e ruidosa salva de palmas assim que desapareceu do céu!

Que mais se pode pedir, quando a intenção é descansar e esquecer que o resto do mundo existe?   🙂

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1 Comentário

  • Reply Nuno Luz 8 Outubro, 2014 at 19:09

    Muito bom! Definitavamente um local a visitar!

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