40 lugares, Portugal, Visitar

A Gulbenkian em Lisboa está cheia de curiosidades

22 Janeiro, 2016

Acredito que a Fundação Calouste Gulbenkian faça parte da vida de muitas famílias que moram ou visitam Lisboa. Faz definitivamente parte da minha.

Lembro-me principalmente de quando era estudante universitária e lá ía à procura de algum sossego e ar puro. E depois mais tarde, durante os primeiros anos de vida dos miúdos, foi muitas vezes a escolha para vários dos nossos passeios e brincadeiras.

Agora, com eles já adolescentes (nem sabem o quanto – ainda – me custa utilizar esta palavra para me referir aos meus próprios filhos!), gosto de lá ir sozinha e continuar a encontrar muitos estudantes concentrados, muitas crianças a correr…e sinto-me sempre muito nostálgica, invadida por um misto de saudade mas sim, também com aquele insubstituível sentimento de missão cumprida à mistura.

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E não deixo de pensar…é incrível como alguns lugares criam esta relação de afinidade connosco, como têm esta capacidade de nos conseguir transportar para momentos tão simplesmente só nossos, quase mágicos e tão relevantes no nosso percurso de vida.

Pois bem, foi acompanhada por estes pensamentos (de mãe que – ainda – não se conforma com a velocidade que o tempo tem) que encontrei a Mariana no café da entrada para o jardim da Gulbenkian, da Rua Marquês Sá da Bandeira.

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Ela é uma enorme conhecedora de todas as coisas giras que se passam na Gulbenkian e é também a minha primeira convidada para o desafio 40 anos, 40 lugares – o meu tal grande projecto para 2016, que me vai levar a visitar a tal selecção de 40 lugares super especiais que considero merecem mesmo uma visita em família e ainda ter o privilégio de os conhecer pelo olhar dos seus habitantes locais (que, como sabem, têm sempre as melhores histórias e dicas lá do sítio!).

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A Mariana elegeu a Gulbenkian como um lugar imperdível para visitar em Lisboa, porque sabe que agrada a netos, pais e avós. Mas também porque é sem dúvida, uma referência enquanto obra de arquitectura paisagista, é um passeio super prático de fazer em família porque está no centro da cidade, tem um jardim muito completo (de entrada gratuita), um Museu, o CAM (Centro de Arte Moderna), uma Biblioteca de Arte, uma livraria, várias lojas, cafés, restaurantes e uma super extensa programação cultural para escolas, miúdos dos 0-18 anos e famílias. Ufa!!… Só bons motivos para uma visita, certo?

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Mas voltando à minha conversa com a Mariana. Este espaço leva-me até às memórias que guardo dos meus filhos pequeninos, expliquei-lhe de imediato. E ela, de brilho nos olhos, confirmou-me de que este é mesmo um dos seus lugares preferidos de todos os tempos!

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Aparentemente até pode passar por apenas um dos mais bonitos jardins da cidade de Lisboa mas a verdade é que está cheio de surpresas e curiosidades interessantes que dá bastante gozo conhecer melhor.

Foi construído na década de 60 e está em permanente conservação (há equipas de manutenção a cuidar diariamente das plantas e dos animais) e faz-nos sentir parte da natureza, com todos aqueles sons, tons de verde e, claro, os patos a passearem-se livremente por ali.

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A Mariana começou por me mostrar o Centro Interpretativo Gonçalo Ribeiro Telles. E eu, fiquei logo um bocadinho envergonhada, pois já tinha ido a este café antes mas não me tinha apercebido de que a grande porta aberta dava acesso a duas salas.

São espaços pequenos mas muito tecnológicos, como os miúdos de hoje em dia tanto gostam. Agora, tenho de vos dizer, fico sempre bastante desapontada quando vejo que se planeia ou investe neste tipo de espaços até bastante interessantes mas depois todo esse potencial é deixado sem a merecida manutenção técnica.

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Na primeira sala, o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles quis apresentar os 10 mandamentos – os princípios a que deve obedecer a construção de um jardim, apelando à ideia de movimento. Nas paredes estão vários ecrãs e devia passar um filme com sensores que detectam o movimento dos pés – cada sensor representa um dos 10 mandamentos – mas nós não os conseguimos pôr em movimento.

Na sala seguinte, harmoniosamente revestida a cortiça e com vários motivos de natureza desenhados e cortados à mão pelo ilustrador Bernardo P. Carvalho, conseguimos colorir digitalmente vários desenhos que representam as várias fases da vida deste espaço. E foi bastante giro, pois descobrimos que depois de terminadas até podemos enviar as nossas grandes artísticas obras de arte por e-mail. E essa parte funcionou mesmo! 🙂

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Mas ainda em relação às várias fases da vida da Gulbenkian…Sabiam que já foi um Jardim Zoológico e uma Feira Popular? Pois!… Quantas vezes lá fui e não me apercebi que ali já viveram macacos (actualmente vivem na Gulbenkian muitos animais, mas enquanto primeira morada do Zoo de Lisboa adivinha-se mais variedade) e até já esteve cheio de divertidos carrosséis? Eu também não sabia!… Mas foi por isso mesmo que escolhi a Mariana para ser a minha cicerone particular neste espaço tão único e especial.

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Ela não consegue precisar a partir de que idade começou a ir à Gulbenkian com os pais, mas sabe que foi muito cedo. Aos 5 /6 anos até lá fez uma sessão fotográfica com uma colecção de chapéus do pai que lhe ficou gravada na memória e impressa em papel (e que orgulhosamente me mostrou durante a nossa conversa).

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Também já perdeu a conta às vezes que a Gulbenkian foi motivo para uma saída de casa com os dois filhos (de 5 e 8 anos). E eu fiquei mesmo com a sensação de que aqueles miúdos conhecem muito bem todos os cantos e recantos do jardim, sabem perfeitamente o que vamos encontrar se virarmos à direita ou à esquerda e até conseguem distinguir perfeitamente quais as estátuas ou árvores em que vale a pena subir para tirar uma fotografia ou não! (eu tinha uma máquina na mão por isso não me livrei de ouvir várias vezes “só mais uma, só mais uma”).

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E mesmo se já foram muitas vezes à Gulbenkian, acho que talvez consigam ficar surpreendidos com algumas das curiosidades que eu aprendi nesta visita. Tenho de referir que há muitos dados históricos e interessantes sobre o espaço, como é o caso dos 3 riachos que desaguam no grande lago, na eventual inspiração da Ilha dos Amores de Camões para a construção da pequena ilha no lago, na presença de diferentes ambientes e paisagens que fazem lembrar várias regiões de Portugal, na área que muitos chamam de “olhos do Jardim” porque tem muitos pequenos lagos que espelham as redondezas ou até no grande painel de Almada Negreiros na entrada do Museu Calouste Gulbenkian.

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Mas as minhas 10 surpresas preferidas foram estas:

1. Toda a construção dos edifícios foi realizada à volta de um enorme e pré-existente eucalipto classificado

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2. Uma roseira oferecida pelo embaixador da Bulgária incentivou à criação de uma área conhecida como o “Jardim das Rosas”

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3. Todos os meses é escolhido um pássaro diferente, que depois tem direito a uma representação gráfica em painéis espalhados pelo Jardim e a postais oferecidos no balcão da loja do Museu

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4. Foi o primeiro Jardim Zoológico de Lisboa em 1884, um hipódromo / velódromo, uma Feira Popular em 1943

5. Existem parques de estacionamento subterrâneos com pinturas de arte urbana nas paredes e jardins por cima dos tectos

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6. O espaço envolvente ao anfiteatro está organizado por diferentes tipos de árvores e a sua relação com os pontos cardeais

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7. Há garças nocturnas que voam do zoo até aqui (para se deliciarem com os enormes peixes dos lagos) e depois regressam à sua casa

8. Foram introduzidos gansos-do-Egipto no Jardim para tentar diminuir a população de patos, mas as duas espécies tornaram-se amigas e o número de patos continuou a crescer (e já agora convém relembrar que é por isso que é tão importante não alimentar os patos – até porque há coisas muito mais giras para fazer na Gulbenkian do que dar pão ou bolachas aos patos!)

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9. O projecto de requalificação recente envolveu pelo menos um dos projectistas do projecto original (Gonçalo Ribeiro Telles foi o responsável pelas recentes melhorias que, entre outras coisas, melhorou as acessibilidades a carrinhos de bebé e cadeiras de rodas em algumas partes do Jardim)

10. De uma das entradas da Av. António Augusto de Aguiar, consegue-se ver uma construção que lembra um castelo (conta-se que foi construído para provar aos ingleses que os portugueses também sabem tratar de cavalos)

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Além destas curiosidades todas, também não se esqueçam de que a programação educativa da Gulbenkian é enorme e super completa. Existem sempre muitas exposições, concertos, workshops, palestras, oficinas no jardim e contos encenados a decorrer. E ainda um projecto que acho bastante original: uma mala de exploração do jardim, de nome “Experiências no Paraíso” que está disponível na livraria para se alugar e garantir horas de brincadeira em família (a Mariana já fez com a família e emprestou-me a fotografia).

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imagem da Mariana

E foi precisamente o excelente Serviço Educativo da Gulbenkian – o Descobrir – que captou a atenção da Mariana enquanto mãe (eles vão às actividades em família desde que os miudos têm 2 anos).

Sendo que o enorme interesse nestas visitas aos museus, oficinas e actividades no jardim até fez surgir na cabeça dela a ideia de criar um serviço que pudesse facilitar o acesso dos estrangeiros e turistas a este tipo de passeios na cidade de Lisboa.

Ela sabe que não foi a inspiração exclusiva da agenda cultural da Gulbenkian, mas afirma que foi uma enorme responsável pelo arranque do projecto que decidiu estruturar para as famílias, o Little LisbonLisbon For Kids, que conta a História e as estórias mais divertidas ou curiosas que se escondem na nossa capital.

E já sabem, desta forma, além de se poder ficar a conhecer a cidade através de experiências super divertidas e criativas, ainda dá para fortalecer os laços familiares enquanto se viaja em família! E há lá coisa melhor que isto? 🙂

Agora, digam-me, sabem mais alguma curiosidade gira sobre a Gulbenkian?

– – – –

Fundação Calouste Gulbenkian

Av. de Berna, 45 A – Lisboa, Portugal

Entrada no Jardim: grátis

Entrada no CAM:

  • Adulto – 5 euros
  • Portadores do Lisbon Card / Cartão de Turismo de Lisboa – 20% desconto
  • Portadores de Cartão Jovem, estudantes até aos 25 anos e maiores de 65 anos – 50% desconto
  • Menores de 12 anos e até 18 anos, quando acompanhado por familiar – grátis
  • Aos domingos a entrada é gratuita para todos

Entrada no Museu:

  • Adulto – 5 euros
  • Portadores do Lisbon Card / Cartão de Turismo de Lisboa – 20% desconto
  • Portadores de Cartão Jovem, estudantes até aos 30 anos e maiores de 65 anos – 50% desconto
  • Menores de 12 anos e até 18 anos, quando acompanhado por familiar – grátis
  • Aos domingos a entrada é gratuita para todos

Os Museus e Cafés encerram às terças-feiras.

– – – –

Este é o Lugar #1 do Desafio 40 anos, 40 lugares

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Não se esqueçam de que vos vou mostrar um novo lugar por semana! 🙂

Por enquanto, espreitem também o outro lugar especial que já visitei antes:

#0  O BALEAL É A MINHA PRAIA   Peniche

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2 Comentários

  • Reply Cerise 23 Fevereiro, 2016 at 21:47

    Olá Joana,

    Mais um texto cheio de memórias 🙂 fiz o curso na fcsh do outro lado da rua e passeei muito por esse jardim nessa altura.

    Beijinhos
    Andreia

    • Viajar em Família
      Reply Viajar em Família 24 Fevereiro, 2016 at 8:40

      Andreia, fico super feliz por saber que os meus textos têm essa capacidade de reavivar memórias boas! Beijinho

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