Suécia

É tempo de Midsummer na Suécia

22 Junho, 2014

Por estes dias, parece que a Suécia fechou para férias! Festeja-se o Midsummer, que comemora o solstício de Verão. E num país que tem apenas cerca de dois meses de um clima suficientemente agradável para estar numa esplanada, isto é mesmo uma coisa séria! É mesmo para aproveitar cada dia no exterior da melhor forma possível.

A festa já começou na sexta-feira (marcam sempre para a terceira sexta do mês de Junho) mas os festejos prolongam-se até hoje, domingo. Quando cá estive o ano passado, as condições metereológicas ajudaram: lindo céu azul, boa temperatura, nada de vento, nada de chuva. Mas este ano foi bem diferente.

Tem estado muito instável e parece que o Verão e o Inverno andam a alternar entre si. Dia sim dia não, chove. Ou melhor, manhã sim, tarde não…que o dia até pode acordar cinzento e acabar num bonito azul brilhante. Ou vice-versa. E apesar desta instabilidade até ser normal, há mais de 150 anos que não havia registo de um Midsummer tão frio.

Como o ano passado fiz uma descrição do que é o Midsummer e como é geralmente comemorado aqui na Suécia, este ano vou mostrar-vos um dos locais que muitas famílias escolhem para fazer a festa – o Arquipélago de Estocolmo – até porque muitos têm uma cottage (pequena casa/cabana de madeira) nesta área de 60 km, com cerca de 24 mil ilhas (mas só uma minoria está habitada) que vai deste a costa de Estocolmo até o pleno mar aberto.

Para lá chegar, há os barcos turísticos, mas a empresa Waxholmsbolaget que tem os barcos em Blasieholmshamnen (em frente ao Grand Hotel Stockholm) transporta maioritariamente os habitantes e além de ser mais barata que as outras, também nos dá a oportunidade de conviver com uma realidade muito mais verdadeira do quotidiano sueco.

A frota desta empresa é composta por diversas tipologias de barcos, cada um com o seu nome e estão constantemente a sair, só é preciso ter em atenção qual o percurso que faz e se passa por onde queremos ir.

Midsummer 4

Eu fui a Vaxholm, a chamada capital do arquipélago, onde na verdade também se pode chegar de carro e é a habitação permanente de muitos que trabalham em Estocolmo. Aqui há muitas lojas, restaurante e cafés, ao contrário das outras ilhas mais pequenas, que além de algumas cottages, pouco mais têm que um hotel ou restaurante.

O barco demorou cerca de uma hora a chegar lá, com várias paragens pelo meio para apanhar ou largar passageiros, mas pode demorar até quatro ou cinco horas para atingir as ilhas que estão mais afastadas da cidade. Os barcos são todos muito típicos, têm um café a bordo e o bilhete compra-se durante a viagem (ida e volta são 150 coroas suecas, cerca de 16 euros) e é à saída que se entrega o comprovativo.

Foi na minha viagem de ida que conheci a Ann. E para grande espanto meu, foi ela que iniciou a conversa (tenho testemunhado a famosa frieza nórdica nestes pequenos momentos de conversa de ocasião mas também já assisti a excepções, como neste caso).

Midsummer 1

“Há uma porta ali, se quiseres tirar fotografias lá de fora” disse-me ela, enquanto eu tentava registar a nossa partida de Estocolmo através da janela do barco. Acabei por não aceitar o conselho porque a chuva era muita naquele momento, mas a nossa conversa acabou por se manter até à minha saída.

O que também me deu tempo para ficar a compreender um pouco melhor aquele enorme amontoado de pessoas, sacos e carrinhos de bebés que deixavam os corredores do barco tão difícies de circular. E com tão poucos lugares livres. Até deu tempo para a Ann me confessar que apesar de ter nascido aqui nunca se habituou ao clima!

Midsummer 2

E claro confirmou-me o que eu já suspeitava, que aquele cenário não é nada normal. Que era por causa do feriado e da saída em massa das famílias para mais perto da natureza. Mas eu insisti. Queria saber se a chuva e o frio não faziam ninguém desistir. Ao que ela respondeu “é tempo de Midsummer, nada afasta os planos de ninguém”!

Midsummer 3

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