França

A ver passar os navios em Calais

17 Agosto, 2013

Há três formas de passar o Canal da Mancha: de comboio, de ferry ou de Eurotunnel (um comboio especial que transporta veículos). Como estávamos de carro, apenas as últimas duas opções eram válidas. E como tínhamos uma ida e uma volta para fazer, combinámos ir primeiro de ferry e vir depois de Eurotunnel.

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Fomos logo de manhã cedo ao terminal dos ferries comprar o bilhete para o dia seguinte – os preços baixam significativamente se comprados com a antecedência de pelo menos um dia e mesmo durante as 24 horas há grandes diferenças de valores, dependendo das horas mais e menos procuradas para viajar, por isso vale a pena pesquisar.

Pedi preços a três companhias diferentes, que até se revelaram bastante semelhantes, por isso o critério da escolha recaíu no horário que mais nos convinha. De entre as consultadas, apenas uma empresa permitia transportar passageiros sem carro e para meu grande espanto, o preço era muito superior se a viagem fosse feita apenas pelas pessoas a pé!

Depois da compra do bilhete, subimos ao restaurante no mesmo edifício para ter uma vista geral do terminal, que àquela hora parecia bem sossegado.

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Apesar do centro da cidade estar mesmo muito perto do terminal de ferries, e de aparentemente a cidade viver à volta deste constante tráfego de pessoas e carros que entram e saíem todos os dias daqui, tudo me pareceu desnecessariamente confuso e difícil de chegar.

À excepção da Rue Royale (bem cuidada e preenchida com bons hóteis, restaurantes e bares) e do grande e moderno centro comercial Cité Europe, a cidade em si pareceu-me como que “parada no tempo”. E honestamente, tanto as pessoas, como as ruas, tudo me passou uma imagem um pouco degradante, desorganizada e até “anti-turista”.

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A começar pela forma como conduzem e estacionam os carros, de qualquer maneira e em qualquer lugar (mas que assumo como uma característica francesa de encarar o acto de conduzir), passando pela forma como recebem e tratam os visitantes estrangeiros (a contar pelas experiências por que passámos), tudo acabou por me desiludir um pouco. Não estava de todo à espera que em Calais – já que recebe tantas pessoas com inglês como língua materna – não houvesse um esforço para tentar bem receber ou agradar o turista.

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Durante o dia passámos por três diferentes episódios que contribuíram para uma opinião pouco positiva da hospitalidade francesa com que fiquei. Devo começar por explicar que nos outros países por onde passámos, mesmo que nos respondessem que falavam “apenas um pouco” de inglês, fui aprendendo que com mais ou menos sotaque, mais ou menos vontade ou simpatia, a verdade é que o idioma era facilmente usado como base da comunicação. Aqui valeu o francês escolar do Gonçalo, pois o meu está muito esquecido!

Quando perguntei indicações a uma francesa, ela simplesmente respondeu-me “Je suis Française” (sou francesa) e virou-me as costas. Noutra situação, precisamente inversa, uma francesa perguntou-me (em francês) qual o nome da praça onde nos encontravámos. Eu respondi (em inglês) que não sabia mas que tinha um mapa na mão e ía ver. Também desta vez, me acenou a cabeça e virou as costas.

Finalmente, num restaurante, entrámos e perante o olhar “estranho” do funcionário perguntámos se era possível sentar. “Para quê?” perguntou ele – como se fosse preciso explicar o que se faz numa mesa de um restaurante! “Para almoçar” respondi eu, com a mesma descontracção. “Não podem, a cozinha já está fechada”. Ora, e não podia ter dito logo e até de uma outra maneira?

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Apesar da decepção inicial, o dia acabou por terminar de uma forma mais simpática na praia, onde descobrimos cabanas de madeira em cima da areia fina, uma exposição de fotografia na marginal precisamente com esse tema – “cabines de plage”, de Philippe Turpin – que inclui uma imagem da praia da Nazaré em Portugal (serviu para “matar saudades”!!) e uma zona com algumas actividades para toda a família.

E onde ficámos a ver os navios passar e a imaginar a nossa própria travessia no dia seguinte.

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